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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Julia Rodrix e o segredo do seu charme

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Julia Rodrix e seus lindos cabelos brancos
do Blog Melhor Idade, de Ana Maria Penteado


Não sei que com vocês acontece a mesma coisa, mas repararam como aumentou o número de mulheres assumindo seus cabelos brancos? Na sala de espera de um consultório sentei-me ao lado de uma senhora com o rosto jovem e uns cabelos brancos muito bem cortados e tratados. Elogiei os seus cabelos e ela me confessou que estava muito feliz com eles mas que eram necessários alguns cuidados, como a escolha de shampú adequado. Confesso que pinto meus cabelos desde os 29 anos de idade e não teria essa coragem de assumir os meus branquinhos. Semana passada , na redação da Jovem Pan, ví outra pessoa que me chamou a atenção, justamente por possuir lindos cabelos brancos, também muito bem cortados e cuidados. Julia Rodrix, mulher inteligente, bonita, segura de si, jovem e que fez um trabalho excelente de pesquisa para o livro ” Ninguém faz sucesso sozinho” de A.A.A. de Carvalho, o Tuta. Conversando com ela. pedí que mandasse um texto para o blog contando suas experiências com os cabelos brancos.
Obrigada, Julia, pelo lindo texto ( adorei a velhinha de Miami)


“Preconceitos a parte, mas sempre que querem me localizar no meio de um grupo se referem a mim como a moça loura.
Não sou loura, sou grisalha por opção e certo orgulho. Acho que não saberia, hoje, ser de qualquer outro modo, faz parte de mim ser a grisalha, a mulher que assume os cabelos brancos, que param na rua pra saber que tinta em passo, ou para saber se meus cabelos são naturais ou não.

A história destes meus cabelos é longa, começou com meus 16 anos mais ou menos . Haviam lançado o primeiro shampo com cheiro de amndoas e eu comecei a usar nos meus longos cabelos negros e lisos, asa de grúna ^,quando notei alguns fios brancos. um aqui e outro ali, coisa pouca. em menos de seis meses a cabeça já estava assim, meio sal e pimenta, mechas já apareciam aqui e ali e eu achei que era culpa do tal do shampo.

Parei de usar o produto mas os cabelos continuaram a embrnquecer. fui ficando adolescente, naquela época se ficava adolescente depois dos 16, entrei na faculdade, e as mechas lá, dando um toque de diferença. fiz desfiles, fui modelo, pintei o cabelo de todas as cores, fui verde como as esmeraldas da H.stern, vermelhos para combinar com a linha de sandálias da Czarina, liláses para a lançar as primeiras sandálias da melissa, e finalmente loiros, a la Marilyn numa época que eu tinha tempo e dinheiro para retocar infinitamente. Casei e meu marido Z. Rodrix, que sabia do meu cabelo branco, insistia para que eu o deixasse natural, dizia ser meu charme.

Aos 29 anos engravidei e fui aconselhada pelo meu querido amigo e médico, dar um tempo na pintura do cabelo. Ficar com a raiz aparecendo, nunca, deixar a cabelo de diversas tonalidades, menos ainda.Tentei descolorir e tudo que consegui foi uma reaçao da tintura e um cabelo pink.
Sendo assim, decidi passar a máquina 0. Sai do cabeleireiro carequinha para susto e surpresa de todos, inclusive minha.

Desde este dia assumi meu cabelo branco, branquinho como a neve. Muito mais simples, não me obriga a disciplinas quinzenais e horas de cabeleireiro , fortunas com tinturas, hidratação, banhos, máscaras e tudo o mais que envolve um cabelo tingido e bonito, mas não é só lavar e pronto, é preciso alguns cuidados.

Nada de shampos cheirosos e coloridos. Conforme a cor, pode ter certeza que seu cabelo ficará com um “ton sur ton” do shampo.
Nada de banhos de piscinas demorados e frequentes sem depois passar um shanpo de limpeza profunda, pode ficar com cabelo verde de marciamo.
Rinsagens, todo cuidado é pouco para não ficar com aquela aparência de velhinha de Miami.

Penei um bocado para conseguir um shampo que me deixasse o cabelo branco, branco. É só isso que eu quero.
Experimentei de tudo um pouco, passei pelo de marca conhecidas, desconhecidas, achei o da Oxyless que tinha o melhor dos perfumes, mas mudaram a politica da empresa, resolveram vender para o mercado masculino e retiraram o perfume, ai procurei, procurei e encontrei o Silver Grey da Mahogani., com direito a Creme Rinse da mesma linha e tudo mais. Vale muito a pena. Retira o tom amarelado, deixa o cabelo macio e dá um brilho todo especial.

Hoje estou com quase 52 anos, cabelos brancos e a aparência mais madura não me assusta, pelo contrario, acho que combina mais, deixa mais uniforme, dá uma certa traquilidade ao todo.

E quando entro em qualquer ambiente, sei que causo uma certa tensão. fica uma pergunta sempre no ar e sabe que eu gosto disso. Minha idade não esta na cor dos meus cabelos”.

Julia, provando que está todo mundo antenado, a VEJA publicou esta semana uma matéria sobre mulheres assumindo os cabelos brancos.

http://blogs.jovempan.uol.com.br/melhoridade/2009/10/13/julia-rodrix-e-seus-lindos-cabelos-brancos/

Foto: Família Rodrix no Programa Maura Roth

domingo, 28 de junho de 2009

1 mês sem Zé Rodrix ( msg de Julia Rodrix )

Zé Rodrix,Barbara Rodrix e Julia Rodrix em momento de confraternização
com amigos da M- Musica no Rio de Janeiro ( 2005)

Alan,


O que dizer? Como dizer?


Agradecer, os 26 anos que ganhei tendo o prazer e a honra de conviver com este homem, este mestre de tantas artes, este ser humano de tantos humores e de sabedoria imensa e paciência curta para pequenices, burrices, preconceitos baratos, mesquinharias? Dizer o que perdi? Tudo seria pouco e difícil.


O Zé sempre foi e será um homem controverso, tipo ame-o ou deixe-o. Agora vejo que até mesmo aqueles que o detestavam, no fundo, tinham por ele respeito. Pela sua honra, pela sua ética, pela sua dureza contra qualquer coisa que não fosse no mínimo correta e justa.


Como Maçon lutou para que a Ordem voltasse a ser modelo respeitando seus fundamentos, fez pela Maçonaria durante 10 anos o que muitos não fizeram por séculos. Ou desfizeram, tornando a Maçonaria forma de poder e disputa em vez de uma Ordem de justiça, ética e fraternidade.
Pela música, você bem sabe foi contra dogmas, cultos por pessoas em detrimento a obras, culto à mídia no lugar do talento verdadeiro.


Seus textos nas listas que participava não eram mensagens curtas mas lições, pensamentos rápidos e muitas vezes hostis e mordazes para aqueles que estavam preparados para aquilo que querem, podem e conseguem entender o verdadeiro significado da palavra, do pensamento, do conhecimento.Para aqueles que se ofendiam, ele dizia apenas para não se levarem a sério, para não darem tanta importância a si próprios e às suas vaidades pessoais.


Como Pai, fez pelos 6 filhos o que um pai pode fazer. Deu o exemplo de correção, não com palavras, mas com atos, com atitudes. Ensinou a cada um deles o valor de ter amigos, de ser fiel a seus valores, de ser fiel a seus princípios, e de que a pior coisa que se pode fazer é trair a si próprio fazendo concessões. Ensinou o valor do trabalho, da realização dos sonhos e o prazer de ler, de conhecer, da busca. Tenho dois filhos dele e mais quatro de herança que me foram dados por ele como uma bênção.


Marya, uma maravilhosa filha mais velha, que tem a voz mais linda do mundo, compositora, cantora de musicais e atriz talentosa. Uma mulher de muita fibra, que vai lançar seu primeiro disco agora para orgulho de seu pai coruja que postava todos os trechos de suas performances nas listas. Dela tenho uma neta torta de 16 anos que se chama Morgana e que é uma luz de beleza e carinho, e também de um talento extraordinário.


Joy, um anjo de meiguice e doçura, psicóloga, que está desenvolvendo um projeto de atenção integral ao paciente e pelo qual o pai estava empolgadíssimo. É a mãe da Amodini, uma bênção de 5 anos de idade, que me disse que a Natureza não foi justa porque levou o vô Zé antes dele merecer, e veio do Rio para me dar colo.


Rafael, seu filho de Natal, um homem maravilhoso em inteligência, delicadeza, carinho e um profissional exemplar, que me conforta e aconchega por ser tão parecido ao meu amor e por ter um caráter de fazer inveja a qualquer um.


Mariana, obstetra, sempre pronta a atender, a cuidar, é a fazedora, a nossa mãe nas horas das dores, dos cuidados.


Antonio, meu primeiro filho com ele, meu companheiro, meu porto seguro, que herdou a memória, a sagacidade, a inteligência e o humor ferino, mas que é a doçura em doses imensas.


E por fim (será mesmo?) a Bárbara, que alguns já conhecem, que tem seu gênio, sua musicalidade, opinião própria, seu jeito de compor completamente diferente do pai, mas também não dá mole, como ela diz, pra ninguém e não é bengala de ninguém.


Dona Lourdes, a mãe dele com 81 anos, que mora comigo e que está bem, sofrendo, mas sabe que temos que continuar a vida como ele nos ensinou.


Quanto ao meu melhor amigo, ao meu amor, ao companheiro de uma vida tenho pouco a dizer porque ainda não consigo entender, não consigo escrever sem chorar muito.Aos amigos só tenho a agradecer o apoio, ao amor que me tem dado e peço que não esqueçam sua obra, que não esqueçam seus ensinamentos, que não deixem que a mediocridade tome conta do mundo. Não permitam que o mundo emburreça, isto sim seria um insulto à sua memória. A burrice é o pior dos pecados, porque cega, anula e mata.


A você, Alan, muito obrigada pelo cuidado, pelo carinho e pelo trabalho que certamente eu te darei porque quero o endereço novamente do Orkut, quero os textos, que certamente lerei e selecionarei para uma publicação, seja pela editora ou pelo blog, ainda não sei. Todas as decisões serão tomadas por mim e pelos meus 6 filhos. Não sei como poderemos fazer isto mas gostaria de ter estes textos, todos os que estiverem disponíveis, tanto os dele como os dos admiradores, para poder ver o que fazer, afinal não vou deixar que suas palavras voem ao sabor dos ventos.


Um beijo e, mais uma vez, obrigada.


Julia para sempre Rodrix

26/06/2009


( mensagem de Julia Rodrix ao jornalista Alan Romero, dedicada aos fãs, amigos e admiradores de Zé Rodrix )