quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Música no céu: um pensamento de luz por Zé Rodrix!


Hoje escutem uma canção do Zé, releiam alguma crônica, vejam alguma foto, riam com alguma irreverência do Mestre, comam ( ou bebam) algo muito especial que invoque sua memória, e principalmente, dirijam um pensamento de luz ao Zé Rodrix no dia do seu aniversário!!
Vale até chorar, desde que termine tudo numa gargalhada , daquelas abertas, bem ao gosto do Zé!
PARABÉNS, ZÉ RODRIX!!!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Julia Rodrix e o segredo do seu charme

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Julia Rodrix e seus lindos cabelos brancos
do Blog Melhor Idade, de Ana Maria Penteado


Não sei que com vocês acontece a mesma coisa, mas repararam como aumentou o número de mulheres assumindo seus cabelos brancos? Na sala de espera de um consultório sentei-me ao lado de uma senhora com o rosto jovem e uns cabelos brancos muito bem cortados e tratados. Elogiei os seus cabelos e ela me confessou que estava muito feliz com eles mas que eram necessários alguns cuidados, como a escolha de shampú adequado. Confesso que pinto meus cabelos desde os 29 anos de idade e não teria essa coragem de assumir os meus branquinhos. Semana passada , na redação da Jovem Pan, ví outra pessoa que me chamou a atenção, justamente por possuir lindos cabelos brancos, também muito bem cortados e cuidados. Julia Rodrix, mulher inteligente, bonita, segura de si, jovem e que fez um trabalho excelente de pesquisa para o livro ” Ninguém faz sucesso sozinho” de A.A.A. de Carvalho, o Tuta. Conversando com ela. pedí que mandasse um texto para o blog contando suas experiências com os cabelos brancos.
Obrigada, Julia, pelo lindo texto ( adorei a velhinha de Miami)


“Preconceitos a parte, mas sempre que querem me localizar no meio de um grupo se referem a mim como a moça loura.
Não sou loura, sou grisalha por opção e certo orgulho. Acho que não saberia, hoje, ser de qualquer outro modo, faz parte de mim ser a grisalha, a mulher que assume os cabelos brancos, que param na rua pra saber que tinta em passo, ou para saber se meus cabelos são naturais ou não.

A história destes meus cabelos é longa, começou com meus 16 anos mais ou menos . Haviam lançado o primeiro shampo com cheiro de amndoas e eu comecei a usar nos meus longos cabelos negros e lisos, asa de grúna ^,quando notei alguns fios brancos. um aqui e outro ali, coisa pouca. em menos de seis meses a cabeça já estava assim, meio sal e pimenta, mechas já apareciam aqui e ali e eu achei que era culpa do tal do shampo.

Parei de usar o produto mas os cabelos continuaram a embrnquecer. fui ficando adolescente, naquela época se ficava adolescente depois dos 16, entrei na faculdade, e as mechas lá, dando um toque de diferença. fiz desfiles, fui modelo, pintei o cabelo de todas as cores, fui verde como as esmeraldas da H.stern, vermelhos para combinar com a linha de sandálias da Czarina, liláses para a lançar as primeiras sandálias da melissa, e finalmente loiros, a la Marilyn numa época que eu tinha tempo e dinheiro para retocar infinitamente. Casei e meu marido Z. Rodrix, que sabia do meu cabelo branco, insistia para que eu o deixasse natural, dizia ser meu charme.

Aos 29 anos engravidei e fui aconselhada pelo meu querido amigo e médico, dar um tempo na pintura do cabelo. Ficar com a raiz aparecendo, nunca, deixar a cabelo de diversas tonalidades, menos ainda.Tentei descolorir e tudo que consegui foi uma reaçao da tintura e um cabelo pink.
Sendo assim, decidi passar a máquina 0. Sai do cabeleireiro carequinha para susto e surpresa de todos, inclusive minha.

Desde este dia assumi meu cabelo branco, branquinho como a neve. Muito mais simples, não me obriga a disciplinas quinzenais e horas de cabeleireiro , fortunas com tinturas, hidratação, banhos, máscaras e tudo o mais que envolve um cabelo tingido e bonito, mas não é só lavar e pronto, é preciso alguns cuidados.

Nada de shampos cheirosos e coloridos. Conforme a cor, pode ter certeza que seu cabelo ficará com um “ton sur ton” do shampo.
Nada de banhos de piscinas demorados e frequentes sem depois passar um shanpo de limpeza profunda, pode ficar com cabelo verde de marciamo.
Rinsagens, todo cuidado é pouco para não ficar com aquela aparência de velhinha de Miami.

Penei um bocado para conseguir um shampo que me deixasse o cabelo branco, branco. É só isso que eu quero.
Experimentei de tudo um pouco, passei pelo de marca conhecidas, desconhecidas, achei o da Oxyless que tinha o melhor dos perfumes, mas mudaram a politica da empresa, resolveram vender para o mercado masculino e retiraram o perfume, ai procurei, procurei e encontrei o Silver Grey da Mahogani., com direito a Creme Rinse da mesma linha e tudo mais. Vale muito a pena. Retira o tom amarelado, deixa o cabelo macio e dá um brilho todo especial.

Hoje estou com quase 52 anos, cabelos brancos e a aparência mais madura não me assusta, pelo contrario, acho que combina mais, deixa mais uniforme, dá uma certa traquilidade ao todo.

E quando entro em qualquer ambiente, sei que causo uma certa tensão. fica uma pergunta sempre no ar e sabe que eu gosto disso. Minha idade não esta na cor dos meus cabelos”.

Julia, provando que está todo mundo antenado, a VEJA publicou esta semana uma matéria sobre mulheres assumindo os cabelos brancos.

http://blogs.jovempan.uol.com.br/melhoridade/2009/10/13/julia-rodrix-e-seus-lindos-cabelos-brancos/

Foto: Família Rodrix no Programa Maura Roth

sábado, 19 de setembro de 2009

Revista Música - Janeiro / 1977

Clique em cima para ler a matéria



terça-feira, 15 de setembro de 2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

“Espaço Cultural Zé Rodrix” - Homenagem da APP

A APP - Associação dos Profissionais de Propaganda – (www.appbrasil.org.br), presidida por Paulo Chueiri, realiza na próxima segunda-feira, dia 31 de agosto, a partir das 19h30, um evento em homenagem ao músico e publicitário Zé Rodrix, falecido em maio.

Com a presença da diretoria da associação e convidados, o atual espaço de eventos, localizado na sede da APP, passará a se chamar “Espaço Cultural Zé Rodrix”, uma homenagem ao profissional que foi diretor e conselheiro da entidade por cerca de 10 anos. Na ocasião, estarão presentes a viúva de Zé Rodrix, Julia Rodrix, e seus filhos.

A sede da APP fica localizada à R. Hungria, 664 – 12º andar.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A MÚSICA DE SÃO PAULO (UMA MEMÓRIA PESSOAL) 5

Meu primeiro show solo foi no Teatro 13 de Maio, ali na Rua do mesmo nome, onde hoje é o Café Piu-Piu. Era um show metido a fantástico, com efeitos de magia e prestidigitação, e uma banda deliciosa denominada AGÊNCIA DE MÁGICOS, com a qual gravei meu segundo disco solo. Nesse teatro já estavam ensaiando os Dzi Croquettes, a genial invenção de Wagner Mello e Lennie Dale, que lançou em nossa terra as bases do que depois desembocaria nos Secos e Molhados: a androginia como ferramenta da arte. O Teatro 13 de Maio nunca mais foi o mesmo, depois do sucesso dos Dzi Croquettes, mais de um ano em cartaz, com casas cheíssimas. Os Secos e Molhados, ainda sem Neyzinho, eu conheci numa casa muito louca chamada Kurtiço Negro, nos baixos da Rua Santo Antonio, da qual, ninguém se lembra, e eu só tenho certeza de que existiu porque tenho fitas raríssimas de shows dessa casa, com Secos, Luli (mais tarde da dupla Luli & Lucina) e o Alfa Centauri, do Edu. Se não fossem esses registros, eu certamente duvidaria de minha sanidade mental.




Tempos loucos, muito loucos: Moracy Do Val esteve em minha casa, e eu lhe mostrei o LP de uma banda americana chamada Grand Funk Railroad, que despontara para o sucesso subitamente, vindo de um anonimato absoluto, com o expediente de aplicar 1.000.000 de dólares na compra de seu próprio disco, chegando ao primeiro lugar na lista dos mais vendidos, e dai em diante vendendo pelo menos mais cinco milhões de dólares, tornando-se sucesso instantâneo. Moracy Do Val fez o mesmo com os Secos e Molhados, aplicando uma grana sentida nos discos do próprio grupo, dando o start necessário ao que foi o maior fenômeno do disco de que o Brasil já teve notícia. Mas o destino tanto dá quanto cobra: nesse mesmo apartamento conheci dois amigos americanos de Lennie Dale, que ficaram fascinados com a idéia de uma banda de rock que só aparecia maquiada, e cujos rostos limpos ninguém jamais conhecia. Chamavam-se Gene e Paul, e não foi sem surpresa que algum tempo depois surgiu uma banda americana chamada KISS, ambos filhos das New York Dolls, que certamente eram a inspiração visual dos Dzi Croquettes.




Negócios, necessidades, mais uma mudança para o Rio de Janeiro, de onde só retornei, dessa vez em definitivo, em 1983, para a montagem do musical BANDAGE! meu e de Miguel Paiva, no Teatro Cultura Artística. Mas minha vida já se prenunciava paulistana, desde o dia em que na Via Dutra, chegando ao Rio de Janeiro, cruzei com o carro do Joelho de Porco. Trocamos telefones ainda em movimento, e mais tarde, quando cheguei ao Rio, me ligaram perguntando como eu poderia ajuda-los a destrinchar as necessidades documentais para que o show se realizasse. Coloquei imediatamente o meu secretario Tim à disposição, o show aconteceu, Tico Terpins ficou imensamente agradecido, pondo sua casa à minha disposição sempre que eu estivesse em são Paulo.




E aí começa a minha permanência cada vez mais constante em São Paulo, até a mudança definitiva para essas plagas. O Rio de Janeiro começava a dar sinais de deterioração, pelo menos em matéria de música e gravadoras. A Odeon ia sair do prédio onde fizera toda a sua vida, onde o melhor que o Brasil produzira em matéria de música havia sido gravado, e as paredes daquele espaço no Edifício São Borja, ali na Rio Branco, em cima do famoso Paisano, estavam impregnadas pela arte de tantos que nos antecederam. Temi pelos resultados, e meus temores se concretizaram: os estúdios novos eram frios, gelados, sem nenhuma vibração artística. Alem disso, a onda mais uma vez havia se direcionado para São Paulo, e a tal ponto que eu, mesmo morando em minha casa no Rio, trabalhava e estava baseado em São Paulo. A amizade com o Tico começou a ser cada vez mais intensa. Na casa que foi de seus pais, ali em frente à porta dos fundos da TV Tupi, vivemos momentos de prazer musical- gastronômico-sexual inesquecíveis, como apenas São Paulo podia nos propiciar. O Joelho de Porco estava em seus estertores, e o Tico resolveu acabar com ele de chofre, ficando em casa curtindo. Curtíamos todos, pois: era divertido demais. Minha carreira pessoal estava em franco declíni problemas pessoais e profissionais se avolumavam, minha fenomenal arrogância dando dezenas de sinais de que não era suficiente para manter-me vivo, e em contato com tanta coisa interessante que acontecia no panorama musical de São Paulo comecei a me perceber insatisfeito, inadequado, incontrolável, a ponto de explodir, e eu sempre explodia. Mudei de gravadora, por incompatibilidade de gênios com os gênios da EMI, fui para a RCA, que era sensivelmente pior do que a anterior comecei a tropeçar em meus próprios pés, e a única coisa que ainda me dava alguma satisfação era gravar coisas interessantes no porta-studio do Tico, com o qual se iniciou o que seria a nossa vida em comum durante os vinte anos seguintes. São Paulo havia se tornado meu refúgio, a casa do Tico meu porto seguro, os novos amigos a minha referência em matéria de arte.




Zé Rodrix

A Música de São Paulo 6


Estava a cada dia mais insatisfeito com o que fazia como profissão: meu momento de sucesso havia passado, e eu não me preparara para isso. Shows cada vez piores, cachês cada vez menores, começamos eu e Tico (que também não estava sabendo bem o que fazer da própria vida) a planejar uma forma de usar nossa tão decantada criatividade, que saia pelos poros, mas não nos rendia nada. Em vez de ficar ouvindo executivos de gravadoras dizerem a frase-chave de suas vidas: - “Porque vocês não fazem uma música mais comercial?”, deveríamos partir direto para a música mais comercial que havia, e que era a música para publicidade. Essa tinha vantagens sensacionais: era paga, aliás, bem-paga, e sempre contra entrega: já no mundo do disco tudo era feito em consignação, ou seja, você gravava e esperava pacientemente para ver o que ia acontecer, se acontecesse… Iniciamos a invenção de nossas personas-publicitárias, baseadas visualmente nos Blues Brothers, e para exibir aos executivos de agências de publicidade o quanto éramos criativos, criamos um monte de clientes fictícios e um monte de jingles inexistentes, que gravamos e começamos a levar às agências da época. Era um susto: quando entrávamos nas empresas, ainda muito tradicionais. ninguém entendia aquele par de loucos, um alto e um baixinho, vestindo ternos pretos, chapéus, óculos escuros, e com pastas 007 algemadas aos pulsos. Um desses diretores de criação, conhecido seca-e-meca por sua ousadia, ouviu nossa fita e decretou: -não tem lugar para vocês na publicidade. Vocês são criativos demais!
Na casa do Tico a vida era uma festa continua, como as sessões passatempo do Cineac Trianon: o espetáculo começava quando você entrava, e terminava na hora em que você ia embora. Uma festa atrás da outra, e no meio desse processo contínuo chegamos a inventar um grupo novo chamado CARECA & PENTEADO, imensa banda & Grupo coral, que se apresentou numa festa-à-beira-da-piscina na recém-inaugurada casa do Sergio Terpins, irmão do Tico, corintiano tão doente que morreu do coração no dia em que o Corinthians original veio jogar em São Paulo. Essa banda tinha dois vocalistas: Tico Terpins e o ator Ricardo Petraglia, que já havia sido João da Fúria em umas das versões anteriores do Joelho de Porco, e foi a primeira a fazer uso da linguagem desabrida e pornográfica que mais tarde diversos grupos-descendentes tornaram corriqueira.


O Joelho foi seminal para essas bandas: no teatro Lyra Paulistana, ali num porão da rua Teodoro Sampaio, dirigido pelo Wilson “Gordo” Souto Jr., surgiram movimentos, grupos, artistas, os verdadeiros criadores da nova música paulistana: recordo do Língua de Trapo, do Premeditando o Breque, do Rumo, de Cida Moreyra, de quem produzimos o primeiro show (dirigido por José Possi Netto) e gravamos o primeiro disco, um raríssimo LP selo Áudio-Patrulha.

O tempo passando, eu cada vez menos interessado em minha vida de artista/cantor e cada vez mais ficando em São Paulo vendo se dava para experimentar a realidade da música de publicidade, junto com o Tico, mas sem coragem para encarar aquilo com a exclusividade e o empenho que a coisa merecia. Um dia, estávamos almoçando no Jardim de Napoli, em Higienópolis, junto com Renato Viola, que à época era diretor da Band Records e estava gravando um interessante LP chamado BEATLES IN CHORO, com arranjos de Mozart Terra e a participação do inacreditável Carlos Poyares. O Jardim de Napoli era quase que nosso refeitório: ali íamos quase todo dia, inclusive fins de semana. levantei-me para ir ao telefone e no aparelho estava um homem dizendo: - Mas a Elis Regina morreu? Com um calafrio, voltei à mesa e falei do que tinha ouvido.- Tolice! disse um, - Estive com ela ontem! disse outro, e até eu mesmo, que a tinha visto dois dias antes, pretendi duvidar. Sempre alegamos a visão da vida como impossibilidade da morte, como se para morrer não fosse suficiente estar vivo. Tico, acostumado ao mundo de boatos que a mídia já impunha, foi mais racional: - Se ao sairmos daqui o rádio estiver tocando músicas dela, ela morreu. Dito e feito: quando saímos do restaurante, as rádios de São Paulo só tocavam suas músicas. No estúdio o rádio ligado confirmou a notícia, e eu gelei. pela primeira vez na vida uma pessoa próxima atravessava para o outro lado. Elis tinha sido quem me justificara como compositor, quando gravou CASA NO CAMPO, minha e do Tavito, e nossos encontros eventuais sempre tinham sido intensos em matéria de amizade. Sua imagem acenando para nós na porta da casa que tinha na Cantareira se repetia incessantemente em minha memória.

Não sei bem porque esta morte tomou tal volume dentro de mim, tornando-se a gota d’água que fez transbordar minha taça de amargores. Sei que fui ao velório no Teatro Bandeirantes, observando com distanciamento crítico o circo de abutres que se movia em torno do caixão, ficando calado quando os repórteres se aproximavam: sei que sai de lá meio nas nuvens, e que caminhei toda a extensão da Brigadeiro e depois da Av. Paulista debaixo de um céu estrelado de verão, fazendo pela primeira vez na vida um balanço de mim mesmo. Não gostei do que encontrei. Eu tinha sido até esse dia um ser-humano-de-segunda-classe, inconsciente de mim mesmo, movido por impulsos incontroláveis e delírios de grandeza sem nenhuma solidez. A morte de Elis, como um sinal específico do que poderia ser meu fim, me fez mudar radicalmente. No dia seguinte, já no Rio de Janeiro, desmontei a minha vida artística, cancelando contratos, shows, gravações, programas de TV, até mesmo um casamento, e mudei definitivamente, ou quase definitivamente, para São Paulo, onde iniciei o que foi a minha carreira mais importante durante 20 anos: tornei-me um criador de fonogramas publicitários, um “jinglista”, profissão que teve sua ascensão e decadência exatamente durante o tempo em que a pratiquei. Minha mudança verdadeira só aconteceu no fim de 82, e em 83 eu já era cidadão paulistano, cada vez mais paulistano, descobrindo em mim a verdade desse estilo de vida como verdadeira forma de ser, enraizada em minha alma exatamente da maneira como Torquato Neto programara e antevira.
Zé Rodrix